p.- Já passaram quase 4 meses desde que publiquei o primeiro Portugueses pelo LinkedIn. Tive esta ideia depois de reparar que, pelo menos na minha experiência, carreira e percursos profissionais não se discutem muito abertamente em Portugal. Eu adoro saber como as pessoas que admiro chegaram aonde estão, por que cargos e experiências é que tiveram que passar para terem o seu trabalho actual... E que melhor forma de saber mais sobre isto do que entrevistar pessoas reais com cargos e experiências interessantes? O LinkedIn é o melhor sítio para encontrar estas inspirações e desta vez encontrei alguém muito especial. No entanto, por razões de privacidade que eu respeito, não vou divulgar o nome desta pessoa. Trabalha actualmente na área de comunicação, em Paris, para uma marca reconhecida internacionalmente - Nina Ricci. Espero que gostem!
1. Quando
resolveu sair de Portugal e o que foi fazer ?
Decidi sair
de Portugal para fazer um Mestrado em Marketing e Management de Moda. Foi em
2010. Até essa altura, tinha trabalhado como jornalista na ELLE e na
RAGAZZA. Tenho um curso de Comunicação Social (da Católica) mas
queria ter uma experiência no estrangeiro e, para estudar moda, não
havia sítio melhor que Paris.
2. O
que a fez querer sair de Portugal?
Na altura em que saí [de Portugal], não se
falava em crise ainda como hoje em dia. O que me fez querer sair foi a vontade
de conhecer a vida noutro lugar e, sobretudo, poder especializar-me
na área em que sempre quis trabalhar.
Até hoje, posso dizer que tornei dois dos meus sonhos realidade desde que vim para Paris: estagiei na VOGUE americana e trabalhei em Alta Costura.
3. Qual foi
a maior diferença profissional que encontrou entre Portugal/Portugueses e um
país em que tenha trabalhado?
Só posso
comparar a minha experiência profissional em Portugal com a experiência que
tenho em França. Penso que a maior diferença está na escala das empresas: a
Moda aqui é uma verdadeira indústria que gasta e gera milhões, e que faz
parte de um mercado global. As estruturas são maiores (e os orçamentos também),
por isso há talvez a possibilidade de fazer mais coisas interessantes à escala
mundial, seja um desfile, uma campanha de publicidade ou uma campanha de
marketing digital. Em Portugal, isto nao existe. A Moda é um meio pequeno (à
escala do nosso país) e ainda é vista mais como uma arte do que um negócio.
4. Consegue
se lembrar de uma experiência ou de uma oportunidade (profissional ou pessoal)
que teve fora que em Portugal não teria tido?
Até hoje,
posso dizer que tornei dois dos meus sonhos realidade desde que vim para Paris:
estagiei na VOGUE americana e trabalhei em Alta Costura. Nunca pensei que
pudesse ter estas oportunidades.
5. E agora
a situação contrária: há alguma coisa que acha que conseguiria ter alcançado
(pessoal ou profissionalmente) caso tivesse ficado em Portugal? O que 'perde'
quando está lá fora?
Nao posso
ter a certeza se poderia ter 'alcançado' alguma coisa diferente se tivesse
ficado em Portugal. Provavelmente, se tudo tivesse corrido bem até
hoje,já estaria a trabalhar ha 7 anos, ou seja, teria uma carreira em
Portugal. Isto pode talvez tornar mais complicado o meu regresso a
Portugal, pela dificuldade de voltar ao mercado de trabalho, mas não me
arrependo minimamente da escolha que fiz. Penso que o que perdi mais foi
a nível pessoal: há momentos que se perdem, grupos de que se deixa de
fazer parte, eventos que nao partilhamos com os que sao
mais próximos de nós. Mas tenho a sorte de ter
uma família e amigos que fazem tudo para que nao sinta essa falta e
para que, mesmo longe, estejamos sempre perto.
![]() |
| Nina Ricci for Kate Middleton |
6. Portugal
faz parte dos seus planos para o futuro?
Faz. Nao sei ainda para quando,
mas faz definitivamente parte dos meus planos.
Se a Moda for a vossa paixão, tentem, persistam, não desistam nunca.
7. Que
conselho(s) daria aos jovens que estão agora a tentar forjar uma carreira
internacional, e em especial no seu ramo?
Se a Moda
for a vossa paixão, tentem, persistam, não desistam nunca. E um
mundo difícil, mas cheio de oportunidades e que tem as portas abertas aos
estrangeiros. E sejam correctos e profissionais, sempre. No final do dia, essa
é a única coisa que conta.








































